27.1.15

Nina Saunders

‘james’, 1996

Crônica diária

José Dirceu, mártir do PT

Se continuar assim vou acabar ficando com pena do Zé Dirceu. Por que só ele paga o pato? É sabido que o Lula era um pobretão, operário desqualificado que perdeu um dedo no torno que não soube operar. É sabido, também, que amealhou uma fortuna enorme nestes últimos doze anos que o PT se encontra no poder. Os honorários de presidente do PT, ou da República, não justificam tal fortuna. Logo... Mas continua blindado como se ilibado e impoluto fosse. Por que? Por que só seu fiel escudeiro Zé Dirceu vai para cadeia, por conta do mensalão, e volta a ser investigado pela operação Lava Jato? Será que entre a cúpula dos políticos do PT só ele é culpado? Se continuar assim vou acabar ficando com dó do Zé.

26.1.15

Nina Saunders

‘freedom to choose’, 1994

Crônica diária


Meu arsenal contra pernilongos

Resolvi declarar guerra. Tolerância zero. Depois que esses pequenos insetos devoraram minha netinha de seis meses, a ordem é extermina-los. Cortinado esquenta muito e nestes dias de calor africano é insuportável. Ventilador também ajuda contra o calor, e prejudica o pouso desses pernilongos. Prejudica mas não evita. Tenho como parte do meu arsenal loções contra insetos, mas duvido que seu uso constante e prolongado não faça mal à saúde. Os sprays com inseticidas são muito eficazes mas também pouco recomendável principalmente em se tratando de recém nascidos.  Tenho as aspirais que queimam a noite toda e exalam uma fumacinha de cheiro enjoado, que não mata, mas espanta os insetos durante o período que estão ardendo. Tenho a raquete que eletrocuta com um estalo formidável os pernilongos, moscas ou qualquer insetos que se consiga acertar. O problema durante a noite é acerta-los. Alguns se identificam pelo zumbido no pé da orelha, outros agem como verdadeiros drones. Silenciosos só são percebidos depois do pouso. E por derradeiro ainda tenho o espanta pernilongo eletrônico, que se coloca na tomada elétrica, e um som, só audível por determinados ouvidos humanos, espanta os insetos indesejáveis. Esta noite acordei com um pernilongo na orelha. Estava com a espiral de fumacinha e o eletrônico ligado. A luz vermelha do aparelhinho me fez lembrar os quartos das putas da ilha de Cataguases. Me explico: quando estudava no colégio interno de Cataguases, MG, nos idos de 1959, portanto no século passado, a zona de baixo meretrício ficava numa ilha do rio Pomba que banha a cidade. Nós internos frequentávamos a ilha. Os quartos eram iluminados com abajures com luz vermelha. Acho que essa tonalidade quente dava o calor necessário para as atividades a que nos propúnhamos. Escondia as estrias, cicatrizes,  ou marcas roxas que eventualmente as prostitutas tivessem. Dessa época só me lembro da luz vermelha e do cheiro de talco vagabundo. Concluindo: meu arsenal contra pernilongos não tem sido tão eficaz contra os insetos, mas tem proporcionado lembranças memoráveis.
PS- Sobre a Ilha podem ler mais aquihttp://elunardelli.blogspot.com.br/2011/02/ilha-prostibulo-de-cataguases.html
(21 de Fevereiro de 2011)

25.1.15

Nina Saunders

any day now’, 2003 & ‘confession’, 2005

Crônica diária

Foi pensando na crônica de hoje que estabeleci um paralelo entre o cronista e o dono de um restaurante. O primeiro tem que estabelecer um cardápio de assuntos para agradar o apetite de seus leitores. Em ambos os casos, por mais que renovem os cardápios, por mais variados que sejam os temperos, os comensais que são muito exigentes, reclamam novidades. Comidinhas ou crônicas banais às vezes fazem mais sucesso do que pratos refinados ou muito complexos. Como saber? Nunca se sabe. A única certeza é que a maioria dos leitores preferem refeições leves, digestivas. Procuro não servir o prato quente do dia. Não comentar assuntos muito frescos. Prefiro repercutir matérias já degustadas por outros cronistas e temperadas por outras cozinhas. Assim meu leitor já tem ponto de vista firmado sobre o assunto. Nem sempre há novidades a serem comentadas. Ou novidades que valham a pena comentar. Mas como há fome a ser saciada, e o restaurante não pode deixar de abrir todos os dias, muitas vezes os pratos são os de sempre, e as crônicas repetitivas.

24.1.15

Nina Saunders

exhale’, 2007

Crônica diária



Suicídio a la Argentina

Nosso vizinho de boas carnes e bons vinhos acaba de se consagrar o país dos mais inverossímeis suicídios do mundo. O promotor público Alberto Nisman não foi o primeiro a ser encontrado morto, matado, evidentemente, e que a polícia e o governo decretam suicídio. Anos atrás um certo cidadão passou três dias sequestrado e numa determinada noite seu automóvel foi encontrado a uma distância de quatro quadras de uma torre. Em determinado andar usando óculos escuros, o indivíduo se enforcou,   tendo sido encontrado com o jornal, e  a notícia de seu sequestro, na boca. Normal para um suicida. Outro caso escabroso um morto, matado, evidentemente, deixa uma carta manuscrita, cuja letra não era sua, e o final se desculpa pela caligrafia. Os suicidas argentinos são humoristas. Agora Nisman, um dia antes de depor sobre as acusações contra a presidente Cristina  Kirchner, se mata no banheiro de sua casa, com arma que não era sua, com um disparo à vinte centímetros da têmpora. Detalhes: as portas do apartamento não estavam trancadas, e não havia pólvora nas mãos do morto. É ou não é para a Argentina se gabar como país dos mais inverossímeis suicidas?

23.1.15

Nina Saunders

Crônica diária



Marimbondo terrorista

Essa classe de marimbondos pode ainda não ter sido classificada pelos entomologistas de plantão. Em síntese agem como todo terrorista. Fui vítima de um deles. Um marimbondo solitário. A caminho da praia, ao passar por uma pequena ponte sobre um braço da lagoa de Ibiraquera, fui subitamente (como diria o Frederico Nasser) atacado com uma ferroada na mão esquerda. Só tive tempo, ao sentir a picada ardida, de levar a mão direita sobre o local onde já não havia mais o terrorista. Nem cheguei a vê-lo. Suponho tenha sido um marimbondo pelo teor da picada, inchaço e dor. Eu não o agredi, não o vi, para dizer a verdade, e ele me atacou covardemente. Assim agem os terroristas.

22.1.15

Nina Saunders

‘pure thought I’, 1995 & ‘sincerely yours’, 2007

Crônica diária

 Anônimo

O meu amigo e parceiro de tantas aventuras literárias, e na blogosfera, Jorge Pinheiro, esta semana esteve às voltas com um anônimo.  No seu blog só comentei o necessário: "Não perca tempo com essa gente". Aqui posso me alongar um pouco mais. Pessoas que não tem alma e nome não merecem nossa atenção ou respeito. Só o desprezo Esconder-se no anonimato para fazer críticas ou comentários desairosos, são práticas covardes, próprias dos fracos, despeitados, invejosos, e desprezíveis.  Quem ainda não foi alvo desses crápulas?

21.1.15

Nina Saunders

never’, 1999

Crônica diária

Faz quinze anos que moro em Santa Catarina, na praia de Ibiraquera. Escolhi o lugar a dedo. Comecei a busca por Pernambuco, e fui descendo. O nosso litoral tem paisagens maravilhosas. O clima vai mudando a  medida que se vai caminhando para o sul. O povo que habita esse litoral também. Na minha escolha pesou mais o povo do que o clima. Não me arrependo. Não teria aguentado, também, o calor do norte ou nordeste. Tenho meses de verão quente, mas suportável, com água do mar ou da lagoa (Ibiraquera) com temperaturas agradabilíssimas. O inverno é frio como gostam os amantes das montanhas. E continuo a beira mar. Nessa época do ano tenho a companhia de baleias em frente de casa. No verão ou no inverno a lagoa propicia banhos paradisíacos. Vinte a trinta centímetros de água salobra, transparente, com areia branca ao fundo. Fico deitado imerso num silêncio dos deuses, cercado por cardumes de pequenos peixes, alguns caranguejos,  uma paz celestial. Uma hora pela manhã, outra horinha no final do dia, é o bastante para suportar a eventual falta d´água, nos meses de verão, quando as praias são literalmente invadidas pelos turistas. O bastante para suportar o trabalho e custo de substituir aparelhos elétricos e eletrônicos danificados pela maresia. Desde a geladeira, aquecedores, máquina de lavar, TV, modem, roteador, notebook, aparelhos telefônicos, ar condicionado, motores e bombas, apresentam defeito. Invariavelmente um ou dois deles estão com problema. Mas o prazer dessas dois banhos diários não há problema e custo que não pague. Porque na vida tudo tem um preço. Morar em Ibiraquera é altamente vantajoso.
PS- Eu havia acabado de escrever as linhas acima quando me deparei com esta frase da Beatriz Portugal: "Aqui ainda é um lugar onde se pode encontrar silêncio. Não só aquele silêncio que é realmente uma ausência completa de som, mas um silêncio que é uma presença de paz." Ela não se referia à minha praia, mas a frase cabe como uma luva.

20.1.15

morphed furniture by nina saunders

‘ever onwards’, 2001

Crônica diária



I had a dream

O sonho era completo e cheio de detalhes. Tudo fazia o maior sentido. O Vaticano havia sido fechado e reabriria daí a dois meses como o maior museu  do mundo. O Papa Francisco voltara para a Argentina e agora era técnico do San Lorenzo, onde desde 2008 era sócio torcedor. Os ex padres saíram casando e outros tantos desfilando em paradas GLS, mundo a fora.  O seu antecessor morrera e tinha ido para o inferno por ter renunciado. Os muçulmanos rasparam as barbas e as mulheres tiraram as burcas, passaram a usar roupas claras, saias acima dos joelhos, blusas com o colo à mostra, cabelos cortados e largos sorrisos nas bocas pintadas. Os judeus abandonaram seus kipá e cortaram os cabelos, passando a usar roupas de tons claros, leves e esportivos. As mulheres passaram a tomar sol nas praias e piscinas, e se preocupar menos em andar com a família toda enfeitada com roupas antigas. Estabeleceu-se a paz no mundo. As três maiores religiões monoteístas deixaram de existir abrindo espaço para o Bispo Edir Macedo, que comprou as maiores e melhores igrejas católicas, mesquitas e templos islâmicos, em todo o mundo. Com o fim das religiões, acabaram-se as guerras e o terrorismo, e a almejada paz mundial foi alcançada.

Vale a pena ler

"As redes sociais, sobretudo Facebook, são destruidoras."
Esta é a conclusão do estudo de Jumentus Frederic Skipper, psicólogo e pensador americano inventado por mim, fundador do "behaviorismo radical nas redes sociais", grandemente influenciado pelos trabalhos de Pavlov. Depois de vários anos de experiências sobre o "condicionamento de tipo III" com a famosa “Caixa de Skipper” - também inventados por mim - ele verificou que quando os ratinhos populares e brilhantes postavam idéias brilhantes recebiam um reforço negativo, pois obtinham escassos "curtir". Verificou também que, quando aqueles mesmos ratinhos postavam asneiras, o reforço era positivo pois alcançavam 700 "curtir". Estas respostas e suas consequências reforçadoras provocaram os efeitos colaterais relatados no último e também imaginário "Encontro da Comunidade Las Vigas”, no México: "As redes sociais, sobretudo Facebook, são destruidoras de cabeças brilhantes. Grande parte tornou-se imbecil."

19.1.15

À luz de vela

Faltou luz na Piacaba, 2015

Crônica diária



Muita comoção por nada

Com relação a execução por fuzilamento de dois traficantes brasileiros, presos e condenados na Indonésia, não chego a perceber por que tanta comoção. Quantos traficantes, muito menores, são mortos, fuzilados nos morros e favelas cariocas? Alguém se importa? E por que tanta comoção com esse Marco Moreira? Sou contra algumas leis ou regras, mas absolutamente a favor de que leis e regras sejam obedecidas. As leis na Indonésia são claras a esse respeito. Trafico de drogas é punido com fuzilamento. O Marcos Moreira sabia disso. Resolveu correr o risco. Aqui no morro carioca, onde o trafico também é proibido, e não há pena capital para esse crime, são executados dezenas de traficantes por mês. Da para entender tanta comoção com relação ao traficante brasileiro na Indonésia?

18.1.15

Almoço na PIACABA

 Tabule de entrada
 Picanha feita numa crosta de sal, no forno
 Picanha no SAL e FORNO
Arroz com legumes e uva passa

Crônica diária



Começo de angu é mingau

Estou no meio da leitura do livro do Roberto Pompeu de Toledo: "A capital da solidão - Uma história de São Paulo das origens a 1900". Ganhei o livro do amigo escritor Aloísio de Almeida Prado que o recomendou muito. Para quem já leu a história da fundação de Londres, apesar de seus 1510 anos que as separam, há muita coisa parecida. A qualidade intelectual e moral dos jesuítas, contrastando com a brutalidade dos toscos bandeirantes e caçadores de índios, conviveram com as espertezas, os crimes, os sonhos, as traições, desde os primeiros dias da pobre vila que deu lugar à metrópole de São Paulo. Muita coisa mudou desde sua fundação, outras porém, permanecem vivas como se o tempo não pudesse modificar a alma humana. Um dos primeiros editais da Câmara, buscava comprar um baú para servir de lugar seguro para guardar os votos dos seus membros. Ganhou um determinado morador da vila. Entregue o baú constatou-se não ter fechadura e chave. O ganhador da licitação se defendeu dizendo que havia retirado, porque o edital só propunha a compra de um baú. A Câmara tentou encontrar uma fechadura para o móvel. Não encontrando foi obrigada a pagar pela velha fechadura, o mesmo valor que havia pago pelo baú. Isso me faz lembrar as atuais licitações, cateis, e roubalheiras tão peculiares na Câmara e em todos os órgãos públicos de São Paulo e do Brasil. Não há operação Lava Jato que resolva. Esta no DNA do nosso povo. Mas como temos 1510 anos de atraso com relação à Londres, resta esperanças.

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