5.7.15

Os pés da moça

Museu em Londres

Crônica diária

Bela Cintra 2

Esta crônica, como a de ontem, e das que eventualmente se seguirem, sobre o condomínio onde moro, deveria iniciar com o aviso de tratar-se de ficção, e qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Dito isso, aconselhado pelo advogado da minha editora, vou contar o que ouvi do faxineiro do prédio. As duas irmãs gordinhas, solteiras que moram no primeiro andar são muito diferentes entre si, apesar de não se desgrudarem. Só saem juntas. O tempo todo falam baixinho como se todo mundo estivesse interessado nas suas conversas. Uma é depressiva em ultimo grau. Já tentou o suicídio algumas vezes. A outra, mais nova, é ninfomaníaca. O Zézinho, faxineiro, até fez uma brincadeira quando estava me contando a fofoca: "Uma trepa pelas duas." Rimos. E contou que na semana passada quando chegou para trabalhar, às seis meia da manhã, encontrou ela transando no banco de trás do seu carro, na vaga da garagem. "Verdade?" perguntei incrédulo. "Podes crer, seu Eduardo".

4.7.15

Inverno

Cores e flores do inverno

Crônica diária


Bela Cintra

Podem conferir, todo cronista urbano que se presa, e mesmo os que nem isso fazem, já escreveram, dezenas de crônicas, sobre os prédios onde viveram ou vivem. No Rio, em Belô, em São Paulo invariavelmente moram, ou moravam, quando cronistas, em apartamentos de quarto e sala, num prédio de um determinado bairro da cidade. Eu nunca escrevi uma só linha sobre meu prédio. Dei conta dessa falha grosseira do meu curriculum, revendo o índice dos meus livros de crônicas publicados, e atenção editores, nos inéditos. Mas esta em tempo de corrigir gritante omissão. Todo prédio tem muito assunto. Tem zelador e suas histórias. Tem porteiros de dia e de noite. Tem o pessoal da limpeza. E tem por fim um síndico, grande manancial de pretextos para textos (o trocadilho foi proposital). Mas vou falar de um vizinho, porque todo morador de prédio tem vizinhos. O meu é um italiano que raramente nos cruzamos, mas sei exatamente quando ele saiu ou entrou, usando o elevador. Acorda tarde, e toma banho com água de colônia. O odor é caro. Deve ser uma ótima água de colônia. Suas roupas são sempre muito modernas. Calças justas, ternos feitos sob medida com tecidos italianos, certamente. Um dândi em poucas palavras. Eu o tinha em péssimo juízo. Usa tudo que desprezo num homem. E sempre, na minha maldade, supus fosse solteiro, e usasse o véu do Google, com as cores do arco-íris, sobre o retratinho no Facebook. Mas hoje eu estava descendo para a garagem e o elevador parou num determinado andar, a porta se abriu, e lá estava ele. Viu-me, sem encarar, olhou para dentro do seu apartamento, voltou a olhar na minha direção e disse: "Pode ir" arrogantemente. Sem um bom dia, sem um sorriso, sem pelo menos me olhar no rosto. Dessa vez nem senti o forte cheiro da tradicional água de colônia. Eu fui. Peguei meu carro e quando sai da garagem, na calçada encontro o vizinho italiano, com uma linda loira, elegantíssima, tomando um táxi. Vou ter que reconsiderar meu conceito sobre esse vizinho. Pelo menos bom gosto ele tem.

Comentários que valem um post

Eduardo Penteado Lunardelli Enio Mainardi, não desejo que morra nesta altura do campeonato. Ele precisa passar uns bons anos nas frias cadeias de Curitiba. Precisa pagar em vida, por tudo que fez contra a vida dos cidadãos brasileiros. E se isso é sonhar, que passe o resto dos seus dias exilado na Venezuela, onde ele poderá ir como "perseguido político". Viver livre na Venezuela nos dias de hoje equivale a uma boa pena. Morrer eu desejei um dia, na década de 80 quando tomamos o mesmo avião da Embraer em Araçatuba para São Paulo. Lá estava o fedido, suado barbudo, líder sindical. Juro que pensei em poder morrer num desastre aéreo pelo bem do país. Mas o avião não caiu, ele fundou um partido, perdeu várias eleições e quebrou o Brasil. PS- Ele ainda nos deve, antes de morrer, explicar como seu filho, catador de bosta de elefante, conseguiu em tão pouco tempo, fazer uma das maiores fortunas do país.

3.7.15

Gaspar de Jesus

A importância do pé da moça, na dança

Crônica diária



Mario Sabino
 
O jornalista Mario Sabino é sabido. Ontem saiu-se com essa no seu jornal digital  O Antagonista: "Quando tucano eriça as penas é porque tem gavião por perto". Ou mais ou menos isso. Referia-se a um discurso de um importante senador tucano pedindo, explicitamente,  o impeachment da Dilma. Concordei imediatamente com as suas desconfianças. Há dias que percebo nas entre linhas das notícias, das manchetes, dos rumores, que há no ar alguma coisa mais pesada do que avião, para usar o velho chavão. Lula vai a Brasília na ausência da Dilma, que se encontrava nos USA. Confabula (ou conspira) na casa do presidente do Senado. Para a imprensa passa a informação de que solicitou apoio do Renan à presidente. Na foto dos dois, a cara do Renan desmentia essa informação. O Temer, articulador político oficial do governo, exercendo interinamente a presidência, assiste a movimentação do Lula sem se incomodar. O executivo, e o congresso estão totalmente sob a direção do PMDB. O PT já não existe como partido político, nem como força dentro do governo, ou no congresso. Os tucanos devem fazer parte dessas negociações para tirar a presidente do poder, sem maiores comoções institucionais. Numa democracia recente como a nossa, me espanta o comportamento dos militares. Parece não existirem. Quem diria isso pudesse acontecer numa republica sul americana. Mas mostra maturidade. Lugar de militar é nos quartéis. Diga-se de passagem, eles estão lá não por vontade própria, mas por falta de prestígio. Assim como o PT anulou o Itamaraty, enquadrou os militares. Sobra pouco consolo depender do nosso judiciário. O PT, mais uma vez, e espertamente, aparelhou o STF. Estavam roubando a Petrobras e outras estatais e precisavam se precaver. Assim como o Lula vai se refugiar na Venezuela assim que seu nome for citado, publicamente, pela Lava Jato. Apesar de delatores, os empreiteiros oferecerão seus jatinhos para a fuga do ex-presidente, que vai alegar perseguição política, e o Maduro, se ainda não tiver caído de podre, vai conceder asilo. "Quando tucano eriça as penas é porque tem gavião por perto" Bravo Mario Sabino.

2.7.15

Pé de moça

Laura Kayser
Voluptuosa, numa imagem do meu blog Pé de Moça.

Crônica diária



“Mulheres sapiens”

Inteligência e cultura nunca foram predicados dos nossos governantes. Muito ao contrário, temos uma longa lista de medíocres mandatários. D. Pedro I, Dutra, João Goulart, Generais Costa e Silva e Figueiredo, Itamar, e Dilma, na esfera federal. Para não alongarmos, vamos ficar só na presidente em exercício. Má gestora, péssima administradora, e empresária falida (num negócio de R$1,99) isso todos sabemos. Que tem muita dificuldade em concluir uma frase completa, inteligível, também sabemos. Mas agora passou dos limites toleráveis para uma presidente. Acaba de inventar um novo gênero humano: "mulheres sapiens". Não, não se trata de uma piada, de uma brincadeira. Falou sério. Ex-guerrilheira, feminista e agora cientista. Uma anta completa.

1.7.15

Meio do ano

tumbler

Crônica diária



Gravidade cruel

Se não fosse a força da gravidade, nossa estabilidade sobre a terra seria muito prejudicada. Teríamos que andar com chumbo nos pés, e catando frutos, como quem caça borboletas. Seria muito complicado. A  gravidade, que tem a capacidade de nos atrair para o centro da terra, nos faz lutar contra essa força. Depois dos cinquenta anos, essa atração é grave e cruel, com o nosso corpo. Principalmente com o das mulheres. Passamos a lutar com a queda do cabelo, queda dos peitos, das bundas, da barriga. E essa cruel atração só termina quando nos enterra literalmente.

30.6.15

De castigo

tumbler

Crônica diária



Meio intelectual, meio de esquerda


Esse é o título do livro de crônicas do Antonio Prata. A crônica que dá nome ao livro é uma delícia. Ela tem outro título: "Bar ruim é lindo, bicho." Mas vou escrever sobre a crônica seguinte: "Pétalas e bitucas", onde ele, Antonio Prata disse morar num apartamento térreo com um pequeno quintal, cheio de plantas e bitucas de cigarro. "As plantas são diversas e variadas, as bitucas são todas iguais: Malboro Light, mascadas de batom vermelho, fumadas só até a metade." A crônica narra as agruras do escritor e do síndico, que não conseguem identificar a fumante dos andares superiores que fazem das janelas, e do seu quintal, seus cinzeiros. Nada adiantou vários avisos, colados no elevador, educadamente solicitando a cooperação da moradora infratora. Foram enumerados os riscos de incêndio, ou de entupimento dos ralos, com consequente alagamento dos fossos dos elevadores e etc. Nada adiantou. Intrigava o cronista, que antes de morar no Ed. Maria Regina, e que simpatizava com bitucas manchadas de vermelho, a falta de colaboração da fumante. Em seus devaneios chegou a pensar em Ingrids Bergmans ou Marilyns Monroes bebendo bourbon, rindo alto, com os ombros de fora. Sindico e cronista se perguntavam se a moradora seria sociopata, ou se atirava só de raiva por não ter um jardim. No final acaba a crônica conformado e com pena da moça, varrendo todo fim de tarde as bitucas da vizinha. Eu descobri quem jogava as guimbas pela janela. Para total surpresa do síndico e do Prata (que não sei se sabe, que eu descobri), não se tratava de uma moradora, mas de um vizinho. Isso mesmo, um rapaz solteiro que estudava arquitetura, e escrevia contos policiais. Entre outras muitas esquisitices (que posso contar outra hora) tinha o hábito de pintar com batom vermelho, as bitucas dos cigarros, antes de joga-las pela janela. E se deliciava com o mistério que havia criado. Talvez tivesse inveja dos textos do Antonio Prata, talvez nem soubesse quem era o morador do térreo. A razão nunca saberemos.

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