19.6.13

Museu de Arte Contemporânea by José Luiz Fernandes



Tarde de outono em Niterói (no Museu de Arte Contemporânea) by José Luiz Fernandes

POEMÍNIMOS

nua outra vez
pintando as unhas
outra vez
sorrindo
muitas vezes
dormindo nua
outra vez
falando
outra vez
de olhos pintados
vezenquando
me espanto
outra vez
com tanta
beleza
sua

Cronica diária

 

Nunca uma cena por mim vivida levou tanto tempo para encontrar uma forma de contá-la. Aconteceu a semana passada e desde lá venho matutando de como descrevê-la. Eu fui pego de absoluta surpresa. Fiquei incrédulo com o que assisti a menos de dois metros de distância. Preciso confessar  que senti  vergonha por estar lá. Não tive coragem de chegando na esquina, voltar a cabeça e dar uma última olhada. Seria uma invasão de privacidade. Um ato desleal. Mas como encarar tamanha liberdade sem nenhum preconceito? Saí da livraria e dez metros a frente, indo pela calçada da Alameda Lorena, a 200 metros da minha casa, na Rua Bela Cintra, avisto a nossa " louca " do bairro. Uma moradora de rua, que todo mundo conhece, de estatura baixa, sempre com uma toca enterrada na cabeça até a altura da sobrancelha, vestindo um moletom composto de casaco e calça preta. Descalça como de hábito. Como ela costuma ser agressiva quando se sente importunada, cheguei a pensar em cruzar a rua para não encontrá-la no meio do passeio. Mas vi que ela foi em direção ao meio fio, e eu segui enfrente. Ao passar por ela notei que se colocou na rua, virada para a calçada, abaixou o moletom até os joelhos e ficou de cócoras. Eu não acreditava no que estava vendo. Mas afinal um xixi inocente que correria pelo esgoto, em nada iria poluir, mais, essa cidade. Voltei a cabeça sobre os ombros, depois de mais três passadas, e aí sim o choque foi enorme. Era uma linda e despreocupada defecada ao cair da tarde. Lenta, e vagarosa. Fezes em perfeitas condições de textura e cor. Um enorme tronco onde ela parecia estar sentada. Meninos, eu vi.

18.6.13

Escritores

Drummond, Vinicius, Manuel Bandeira, Mário Quintana e Paulo Mendes Campos (foto de 1966) Enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária

Eu, mau gosto?

Uma leitora comentou um Poemínimo meu assim:" Ohhh, que mau gosto". Assinou: Irene. Tá certo que o assunto era meio delicado, mas tratei de forma sutil, penso eu. A natureza é responsável por mistérios que são insondáveis aos pobres mortais. Muitos animais se acasalam atraídos por subterfúgios de cores, plumagens, danças e odores. A natureza é caprichosa e teve suas razões quando criou esses efeitos visuais, sonoros ou olfativos. Não me culpem e não me perguntem por que? Não tenho a menor ideia porque a  parte  intima  da mulher, é assim que se diz, não é Irene? tem cheiro de peixe fresco. Na verdade o peixe dentro d´água não deve ter cheiro nenhum. Pelo menos para os humanos. Mas fora d´água, e ainda fresquinho cheira vagina feminina. Não é culpa minha, dona Irene. Concordo que a natureza poderia ter criado um cheirinho de rosas ou lavanda para perfumar as (como vou dizer para não chocar a Irene) xoxota das mulheres. Mas certamente, em algum momento da história da humanidade, esse cheiro específico tinha lá suas qualidades e efeitos apropriados. Os tempos mudaram, as mulheres passaram a ter uma higiene íntima mais acurada, e esse cheirinho ficou destoando. As feiras livres, quando tem barracas de peixe, é esse cheiro que predomina, e não são as das barracas de flores. A natureza tem dessas coisas. A Irene que me desculpe, se há mau gosto não é no meu poema.

POEMÍNIMOS

Pédemoça

os pés
morenos
delicados
e sedosos
perfeitos
sem marcas
ou defeitos
precisos
como pés
de mármore
pisam
na memória
e dão
água na boca

17.6.13

Escritores

 Rubem Braga, Vinicius, Paulo Mendes Campos, Carlinhos de Oliveira, Sérgio Porto e Fernando Sabino. ( autor desconhecido ) Enviada por José Luiz Fernandes

Crônica diária

 Mais histórias dos Gracie´s

Ontem falei com entusiasmo do livro e Dieta Gracie. Hoje vou comentar outra particularidade que o mesmo autor da dieta desenvolveu. O Carlos Gracie, irmão do Hélio, mais conhecido em São Paulo, estudou e se convenceu de uma coisa que eu intuitivamente, e sem saber que ele já havia desenvolvido a teoria, acredito. Os sons das letras dos nomes das pessoas tem influência direta e capital na personalidade delas. Sobre isso já escrevi e postei nos meus blogs há vários anos atrás. Não acredito na influência dos astros, não acredito em cartomantes, e assimilados. Mas tenho absoluta certeza de que nomes fortes, ou fracos tem ação direta na personalidade e vida de seus portadores.  O Gracie levou mais a sério essa teoria e colocou nomes com errê nos filhos, sobrinhos, e  netos. E como são pródigos em fazer crianças, um tem 21, outro nove, sete filhos e por aí a fora, imagine a quantidade de Gracie´s  carregando nomes únicos, e deliberadamente pensados. Os nomes da família são compostos por letras de palavras que pretendam influenciar as suas vidas tais como: Reylan, Kron, Rhalan, Ralak, Rener, Royce, Robin, Ryron, Rickson, Rolker, Royler, Rolls, Rorion, e Relson entre mais de 40 membros da família, que desde 1925, disseminam a luta Jiu-Jitsu pelo mundo. E parece tem dado certo.

POEMÍNIMOS

a palavra
entreouvida
entra
na vida
atrevida
e no silêncio
ficou
o segredo

16.6.13

Escritores

Paul Auster

POEMÍNIMOS

 Passarinhando

Tico-tico

sabiá
acolá
bem-te-vi
aqui
beijando
a flor

Crônica diária

 Dieta Gracie

Hoje pela manhã assisti o programa da "Marília Gabriela Entrevista" com um dos membros da grande e conhecida família Gracie. Aqueles do  Jiu-Jits. Estão lançando no Brasil o livro " Dieta Gracie". Por que gostei? Porque quando diagnosticaram que eu sofria de  Mielodisplasia, tomei conhecimento da Dieta do médico Dr Max Gerson, baseada na alimentação para a cura de câncer. Isso a mais de 75 anos atrás. Foi quando fiquei sabendo que nossa alimentação deve ser balanceada entre alimentos ácidos ( a serem evitados ) e alcalinos. Sobre o assunto, com as tabelinhas de uns, e de outros, fiz postagens em Março de 2011 aqui, e aqui. Fiquei absolutamente convencido. Faz o maior sentido. Hoje, volto a saber que mais ou menos na mesma época um dos Gracie, o Carlos, sem ser médico, chegou às mesmas conclusões. A Dieta Gracie, que deveria se chamar Regime Alimentar Gracie, porque não é para perder peso ou qualquer outra vaidade,  e nem para fazer por um determinado período. É uma dieta para a vida toda com o objetivo de obter qualidade de vida. Eu com setenta anos já estou muito velho, mas vou comprar o livro para presentear os pais dos meus netos. Pelo que ouvi da entrevista, pode-se comer de tudo. Tudo sem nenhuma restrição. Apenas separando os alimentos por categorias: ácidos e alcalinos. Nunca comer entre as refeições. Fazer refeições a cada quatro horas e meia. Quantas quiser. Arroz, nunca com feijão, leite só para criança, salada de fruta nunca, e coisinhas assim. Vale a pela tomar conhecimento, pensar sobre o assunto, e se puser em prática, viver 95 anos como vivem os Gracies.

15.6.13

Escritores

Haruki Murakami

Crônica diária

 Suplemento feminino

Sempre tive problemas com os "Suplementos Femininos" dos grandes jornais. Sempre me pareceu coisa para mulherzinha, coisa superficial, coisa menor. Sem nenhum preconceito com o "sexo frágil", muito pelo contrário. Adoro-as. Mas os Suplementos são muito femininos, no mau sentido. Muitas florzinhas, muitos bordados, muito assunto água com açúcar, muita frivolidade. E não é que as minhas crônicas diárias, hoje em dia, tem mais leitoras do que leitores! Será que ando escrevendo para o sexo feminino? Ou os homens não leem crônicas? Será que os homens só se interessam por futebol, carro e sexo, não exatamente nessa ordem, mas só por isso? Ou os homens frequentam menos os blogs e o Facebook? Alguma razão deve haver. No trinômeo futebol, carro e sexo realmente só dou umas investidas, assim mesmo, muito superficialmente no item sexo. Sobre futebol e carro, me abstenho de falar por ser ignorante completo. Política e economia que são assuntos masculinos, ou eram até pouco tempo, tenho abordado, mas com parcimônia, porque são chatos também. Os personagens são sempre os mesmos, os atores não mudam. É inflação, custo de vida, divida externa, Lula, PT, falta de oposição, e muita corrupção. Por que será que minhas leitoras são em maior número? Não que não goste, me honram muito, mas é curioso. Sempre tive certas reservas com os Suplementos Femininos e vou acabar escrevendo num deles...

POEMÍNIMOS


Encomenda

Me incomoda
o vulgar
Não me importa
o vazio
Procuro
vagar
a procura
do lugar
Encontro
desencontro
no lugar
vazio
e vulgar

14.6.13

Escritores

Roberto Bolaño

Crônica diária

 Surreal

A noite transcorreu normal, sem vento, chuva ou barulhos estranhos. Dormi um sono só. Acordei no horário de costume, levantei e abri a janela. Um susto. Não havia nada. Isso mesmo, a janela dava para lugar nenhum. Não tinha os prédios dos vizinhos, não tinha a rua lá embaixo, não tinha o céu no lugar de sempre. Nada. Como se eu estivesse num estúdio e a janela da parede do quarto fosse um tapume que separasse o quarto de um fundo infinito branco. E um silêncio total. Não havia um ruído. Nada. Fiquei uns instantes em estado de choque, depois de êxtase e pura admiração. Curioso e incrédulo. O que teria acontecido? Perdi a visão? Ou estou surdo? Gritei com força, mas em vão. Meu alô, alô não foi ouvido por mim nem por ninguém. Aí caiu a ficha. E bateu uma enorme tristeza. Eu estava absolutamente só. Não veria mais meus filhos, nem netos, nem ninguém. Tudo que eu gostava, e tudo que eu não gostava, não teria mais. Entretanto eu estava ali. De pé enfrente a janela tentando entender o nada que via. E como não via nada, não entendia. E como tudo havia acabado esta crônica não existia.

POEMÍNIMOS

poesia não sai a toa
nem a ferro
nem a fogo
nem martelo
e formão

poesia é coisa
séria
e sutil
nasce, brota e aparece
leve como a brisa
suave como a pluma
certeira como a lança

entra pelos olhos
vai direto ao coração
se for boa
perdura
se não for
não dura

quem faz jura
que achou
encontrou
e que não é sua

13.6.13

Escritores

JULIAN BARNES

POEMÍNIMOS

 Pé de moça

Para o ar, a-pés-ar de estar na água

CFrônica diária

 Paul Auster, mais uma vez

Eu com tanto para escrever, não resisto ao vício, do qual confesso absolutamente dependente, e vou a uma livraria a cata de novos tesouros. As livrarias modernas não são lojas que só vendem livros, mas amplos espaços onde os clientes leitores podem ficar horas a procura do livro desejado. Podem sentar e ler. Ninguém vai se incomodar, e você não será incomodado por um vendedor. Ao contrário, achar um para fazer alguma pergunta, ou pedir ajuda, às vezes não é tarefa fácil. São sempre meninos e meninas super atenciosos e parecem já ter lido toda a livraria, apesar da pouca idade. Treinados para perceber o nível do cliente, se comportam como um amigo desde o primeiro olhar. Simpáticos. Algumas editoras estão relançando velhos títulos com novas capas. Tenho comprado livros em duplicidade. Compro em São Paulo e quando chego em Santa Catarina encontro o mesmo na minha estante. Acabo dando de presente. Mas passei a tomar mais cuidado. Compro sempre no impulso. Agora estou mais cauteloso. Pergunto se há novos lançamentos dessa coleção e editora, ou desse autor. E sempre há. Muitas vezes os tais relançamentos. Mas encontrei um Paul Auster, "Sunset Park" de 2010 que não havia lido. Que delícia encontrar uma obra que vai ser leitura certa. Acredito já ter lido tudo que dele foi publicado no Brasil. E cada história é melhor do que a outra. São daqueles escritores que não tem erro. É prazer na certa. E eu com tanto para escrever, aqui mergulhado no livro do Paul, admirando a forma e conteúdo. Invejando sua criatividade, e torcendo para que novos livros desse autor sejam publicados, e novos leitores, como eu, possam se maravilhar com as histórias que virarão filmes, com certeza. Mas nem o melhor diretor, nem o melhor filme conseguem transportar para as telas o brilho  do texto original.

12.6.13

Escritores



Jean Paul Sartre   (Ouro Preto, 1960)
Enviado por José Luiz Fernandes

Crônica diária

 Pobre é solidário na graça e na desgraça

Não sei de onde foi herdada essa virtude, se do colonizador Português, do índio nativo, ou do negro escravo. Ou será da mistura disso tudo? O povo pobre brasileiro é muito solidário. Talvez seja por conta do pouco espaço físico em que habitam, casas de tábua, em favelas, ou pelo contato físico nos transportes urbanos sempre super lotados, ou ainda pela experiência pessoal desde o nascimento, dividindo o leite, do peito materno, por três ou quatro irmãos ou parentes. O fato é que as pessoas mais humildes desta terra tem um coração e uma dignidade humana invejável. Mal tem o que comer, dividem. Mal tem o que vestir e calçar, dividem. E quando seus semelhantes perdem tudo, absolutamente tudo, numa enchente, ou incêndio nas áreas que habitam, são socorridos e acolhidos por quem não tem nem para si próprio. Esse é o exemplo que a gente pobre deste país tem dado a todo momento. E o engraçado é que rico não é solidário. Será que é a miséria que desenvolve essa virtude? Rico, e quando educado, no máximo se manifesta formalmente cumprindo o rito social exigível para a ocasião. Jamais oferece sua casa, seu quarto, sua cama. Claro que seus semelhantes tem condições de irem para um bom hotel. Alugarem uma nova moradia, ou automóveis se forem preciso. Mas não é o fato de precisarem ou não que esta em jogo, é a solidariedade verdadeira de tirar a camisa e oferecer ao amigo infortunado. A riqueza empobrece muitas virtudes humanas.

POEMÍNIMOS

o vértice
do ângulo
das suas
pernas
tem um
sabor
inesquecível

11.6.13

Escritores

Maria de Fátima Santos

Charles Bukowski

 Women by Charles Bukowski
Linda capa.

Crônica diária

A indústria dos municípios

Quanto mais pobre, mais desejo de dividir. O município de Imbituba que não é dos maiores de Santa Catarina, e serve como exemplo para quase a totalidade de municípios do país, é muito pobre. Apesar de ter um Porto Marítimo, o terceiro em calado natural, é um município pobre. Falta de tudo um pouco. Administrado até pouco tempo por famílias tradicionais locais que se revezavam no atraso, na incompetência, na ignorância, no preconceito, e no mau trato da coisa pública. Tudo como na maioria dos municípios brasileiros. Daí surgem descontentes que apregoam a divisão do município, e criação de novos municípios com se isso fosse sanar o problema. Realmente sana o problema dos defensores da tese, que em geral se dão bem com as divisões. Mas o contribuinte, o cidadão, o munícipe continua sem as benfeitorias que reclama. Dividir pobreza só gera mais miséria. Os custos de uma administração municipal no país é altíssimo perto dos serviços prestados pela municipalidade. Mais prefeitos, mais vereadores, mais instrumentos administrativos, mais equipamentos só geram despesas, que são custeadas, como todo mundo sabe, pelo contribuinte. O que o município, grande, ou não, pobre como a maioria precisam são de mais escolas, mais postos de saúde, mais saneamento, mais e melhor transporte. Menos prefeitos, menos vereadores, menos indústria de criar municípios. Vamos ao contrário, junta-los, fortalece-los, enriquece-los. No caso do meu município de Imbituba, que trabalham para dividi-lo, ele seria muito mais forte e rico se tivesse como bairros Garopaba, Paulo Lopes, Laguna e Tubarão. Mas na verdade são cinco municípios pobres. E querem ainda dividir, para aumentar a pobreza.

POEMÍNIMOS

As pregas
da sua saia
solta
esvoaçante
balançante
acentuando
as formas
deliciosamente
arredondadas
dessas ancas
de mulher
com pregas
na saia

10.6.13

Escritores


Luís Bento

Comentários que valem um post

João Menéres deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

É raro falhar a leitura da CRÓNICA DIÁRIA, pois é portadora de notícias importantes, para o Brasil e para todo o mundo, com os comentários pertinentes e inteligentes do seu autor, o nosso querido Eduardo.
Uma crónica que em meia dúzia de linhas conta muito !

Postado por João Menéres no blog . em domingo, 9 de junho de 2013
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Crônica diária

 Bolsa família

O tema é muito polêmico. Não vamos discutir quem inventou. Não vamos nos aprofundar para saber se na origem as intenções eram boas. Como dezena de outros programas sociais, as bolsas, educação,  leite, seguro desemprego, renda mínima,  minha casa, e por aí a fora, sempre tiveram na sua origem atender gente necessitada. Acontece que são programas emergenciais, e deveriam ser contingenciais, e acabam se tornando mais amplos e duradouros do que deviam. Quem neste país vai ter a coragem de acabar com programas como esses? E basta dar uma olhada nas filas que se formaram para sacar o benefício do Bolsa Família nos estados do nordeste para ver que não eram de miseráveis famintos. Eram mulheres na maioria bem nutridas, com mechas amarelas nos cabelos, sem um ou dois dentes, é verdade, mas representantes das classes menos favorecidas, mas não miseráveis. O programa virou meio de vida. As famílias se enquadram em três ou quatro dessas bolsas, e não fazem mais nada. Estamos dando o peixe, e não ensinando a pescar. Onde esta o investimento em educação e saúde? Onde as bolsas vão levar essas populações? Esse assistencialismo é uma garantia de voto certo no governante de plantão. É uma injeção de recursos no comércio e na indústria, mas um desastre no efeito a médio e longo prazo. Mas quem esta pensando o país do futuro?

Série cadeiras


POEMÍNIMOS

A beiramar

Comopoesia
como
você
comeria
amada
poesia
poemada
como
poderia
um cupido
glutão
e seu
arco-e-flecha
ferir a alma
do poeta
que come
você
como
comeria
poesia
no grotão
da costa
do santinho

9.6.13

Escritores

  Milton Ribeiro e Claudia Antonini | Foto: Augusto Maurer

Crônica diária

Erro de informação e o terrorismo

Dois fatos concomitantes ( palavrinha esquisita, não é? ) e recentes me fizeram pensar. Um foi o ato terrorista, ou assim denominado pelo governo Inglês, quando um casal de malucos cortaram à machado e facas um soldado em Londres. Terrorismo? Ou mais um crime comum com tantos que acontecem em todas as partes do mundo. O que os diferencia talvez seja a falta de um discurso islâmico, religioso ou coisa que o valha no crime comum. Da mesma forma podemos chamar de terrorismo a informação incorreta que a Caixa Federal divulgou a respeito do programa Bolsa Família. Um simples boato levou milhares de pessoas a fazerem fila, quebra-quebra e sacarem durante a noite centena de milhões de reais acreditando ser o ultimo pagamento do programa. A reação de terror do governo foi imediatamente culpar a oposição pelo corre-corre. Depois resolveu investigar de quem era a culpa. E chegou no mordomo como em todo crime barato. Um ato desastrado de informação pode causar terror. Um terrorista e um comparsa podem matar dezena de pessoas como em Boston, ou um soldado inglês em plena luz do dia, e foco de um celular que registrou tudo, inclusive um discurso islâmico. Primário, mas islâmico. A desinformação, e o terror estão soltos, e ao alcance de qualquer cidadão. Contra eles é preciso não propagá-los, não fomentá-los e não despreza-los. Amanhã falo sobre outro tema sério e preocupante: Bolsa Família.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

Cabeçalho rotativo


POEMÍNIMOS

Sonho erótico

Ela sonhou
com o membro
rijo-e-duro
logo acima
do saco
da
ribeira

8.6.13

Escritores

Jorge Pinheiro

Crônica diária

 Hoje, excepcionalmente, abro mão do meu sagrado espaço da "Crônica Diária" para transcrever um importante artigo do jornalista Paulo Nogueira.
A escolha do jurista Luís Roberto Barroso para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi a solução encontrada pela presidenta Dilma Roussef para corrigir os erros apontados por advogados e especialistas políticos no julgamento da Ação Penal (AP) 470, conhecido como ‘mensalão’. A análise é do jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo, em artigo publicado neste domingo.O editor questiona: 
“O que você faz para resolver um problema e não criar outro?” E responde:“Bem, no caso do STF, você nomeia Luís Roberto Barroso.“Barroso resolve o problema do ‘mensalão’. Sua chegada ao Supremo muda o cenário no momento fundamental dos recursos.“Desfaz-se o estado de espírito anti-réus que dominou o STF, e que por um momento pareceu que levaria Zé Dirceu à cadeia.“Joaquim Barbosa, o grande derrotado na nomeação, agora é minoritário, e é uma benção que seja assim, tamanha a inépcia grosseira, pedante e autoritária do ex-Batman.“A segunda etapa do julgamento – aquela, sabemos agora, que será a definitiva – quase que começa do zero. Dirceu pode desfazer a mala, se já não desfez.“As sentenças extraordinariamente rigorosas comandadas por Barbosa, e alinhadas com a mídia, vão sofrer uma enorme redução.“Teses como a Teoria do Domínio do Fato, pela qual você pune sem provas, voltarão ao ostracismo.“Será difícil, como aconteceu, condenar alguém com base em denúncias de jornais e revistas – a maior parte delas sem comprovação“Barroso trouxe isso a Dilma – a certeza de que ela não terá que aturar a expressão de sarcasmo vitorioso de Barbosa, tão bem captada por um fotógrafo no funeral de Niemeyer. “Para os repórteres, Dilma disse que a nomeação nada teve a ver com o ‘mensalão’, mas chamo aqui Wellington para comentar: quem acredita nisso acredita em tudo.“É um pastelão, é verdade – mas o final é melhor que o começo, tamanhas as barbaridades dos juízes no ‘mensalão’.“Dilma, com Barroso, resolve também um problema, como foi dito acima.“Ela poderia enfrentar muitas críticas da mídia com a indicação. Com Barroso, ela neutralizou o maior foco das críticas: as Organizações Globo. Monopolista como a Globo é, você ganha a aprovação dela e o resto está feito no capítulo das relações com a mídia.“Barroso é amigo da Globo. Foi advogado da Abert, a associação que defende os interesses da Globo. Conforme mostrei num artigo anterior, chegou a escrever um artigo em que defendia a reserva de mercado para a Globo. (Os argumentos eram ridículos: até Mao Tsetung era invocado como um risco. Mas o fato é que ele escreveu o artigo e ele foi publicado no Globo.)“Portanto: você não vai ver Jabor, Merval, Ali Kamel, Míriam Leitão ou quem quer que seja na Globo atacando Barroso agora ou, um pouco depois, em suas intervenções no julgamento dos recursos.“A família Marinho gosta dele: então seus vassalos também gostam. Gostam muito.“São todos papistas, para usar a expressão pusilânime e servil com que o ex-diretor do Globo Evandro de Andrade se insinuou a Roberto Marinho quando quis o cargo.“Faço o que o senhor mandar, disse Evandro. É o que todos ali fazem, basicamente.“Barroso só não resolve o problema dos brasileiros de ter um Supremo patético – mas nada é perfeito”, afirma o articulista.
Publicado no Drops Azul Annis

POEMÍNIMOS

Há palavras
diurnas
como
samambaia
e noturnas
como
lua na praia

Cabeçalho rotativo


7.6.13

Escritores

Rui Silvares

Vovô Dudu

Minhas duas queridas netas, Eduarda e Glória me mandaram esta foto ( Guilherme Lunardelli ) dizendo que fizeram para mim. " Vovô Dudu".

Comentários que valem um post

Li Ferreira Nhan deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Comentários que valem um post":

Sempre odiei a gramática. Acho que as professoras não souberam ensinar.
Acho.
E não sei daquelas regras todas.
E também já não me apetece saber.
Penso seriamente em não pontuar mais nada.

Postado por Li Ferreira Nhan no blog . em quarta-feira, 5 de junho de 2013
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POEMÍNIMOS

sabecumé
o buraco
é mais
embaixo

Cabeçalho rotativo


Crônica diária

Meias verdades, ou mentiras inteiras?

A notícia que li ontem sobre a desistência da delação premiada de Marcos Valério Fernandes de Souza,
envolvendo os crimes em que o Lula, ex-presidente participou, são no mínimo reveladoras. Revelam que os criminosos se auto protegem. Revelam a certeza da impunidade. Revelam a esperteza de ambas as partes. Revelam que nunca saberemos a verdade. Revelam que as mentiras prevalecerão. O Valério condenado a mais de 40 anos por diversos crimes, exige uma redução da pena total para incriminar o ex presidente. A cabeça, ou o pescoço do Lula, segundo ele, valem mais do que uma simples redução de pena em um ou dois crimes. O Lula, mais uma vez, se safa de ir à barra da justiça graças ao apetite do delator. Delato mas só se for pela redução total das penas. As mentiras do Lula prevalecerão. As acusações, e meia verdades do condenado, nunca serão investigadas, julgadas, e o ex-presidente condenado. Um bandido protege o outro. A sociedade que se lixe.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

6.6.13

Escritores

Sebastião Cabral

Célia Conrado



Um dia de passagem
Passei por um VARAL,
Colorido e variado invés de passar
Não passei ,
Fiquei.
Parecia um BLOG.a +,
Foi CONCISO,   são ACHADOS.
Me senti  parte desse LATIFÚNDIO DIGITAL.
Fiquei muitas vezes  de  LADINHO,
Admirando esse universo 100FIM,
Tantas descobertas, VARIAS IDEIAS,
O que parecia  o ULTIMO BLOG ,  era o começo de muitos
100TITULO  para expressar minha admiração, fiquei !
E agora meu CHAPA?
Sou VITIMA DA QUINTA,  da segunda, da terça, da semana inteira.
VICIADO   essa é a palavra.
Celia Conrado

Crônica diária

Faz pouco tempo

Os carros americanos importados eram chamadas de "banheiras". Eram enormes perto dos compactos de hoje. E do que tenho mais saudade é do sofá dianteiro. Não existiam bancos, muito menos cintos de segurança. O sofá não era anatômico. O tecido sintético permitia que o passageiro escorregasse da porta do carona ao lado do motorista num simples movimento da direção. "Vem cá meu bem" ou " Chega prá lá" eram as expressões da época. Todo mundo namorava ao volante. Os carros eram hidramáticos, e o câmbio na direção. Nada para atrapalhar os namorados. Na mesma época fumavam a bordo dos aviões de carreira. O leite em garrafas de vidro, com tampinha de alumínio, era entregue nas casas por uma carroça puxada por burro. São coisas inimagináveis. Parece coisa de muitos séculos atrás, e só foi no século passado.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

POEMÍNIMOS

onde-já-se-viu
não se vê mais

Angelo Quadrozzi

Angelo Quadrozzi - AQUI
Desing

5.6.13

Escritores

Mauro Castro

Crônica Diária

Depois de ter lido o livro da Paula Dip sobre o Caio Fernando Abreu, entrei de cabeça nos sebos e li quase a obra toda do Caio F.. Adorei. Aprendi muito com ele. E lá encontrei várias citações à sua amiga e escritora Ana C.. Voltei aos sebos e comprei " A teus pés". E não achei graça nenhuma. Assim como a literatura do Caio F me fascinou, a dela não me disse nada. Uma única frase me chamou a atenção:" Estou bonita que é um desperdício". E desperdício é uma jornalista, poeta e escritora bonita, se jogar de um edifício. Em que pese minha consideração machista, da Ana C. só ficou esse pesar. 
Postado há por

Comentários que valem um post

expressodalinha deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Há uma marca que se agarra às pessoas e às coisas. Paris, a "Cidade Luz". Portugal, o país dos padeiros. Nova Yorque, a cidade que não dorme. Os estereótipos servem para esquematizar a ignorância.

Postado por expressodalinha no blog . em terça-feira, 4 de junho de 2013
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POEMÍNIMOS

Ameaça

compasso
comprimido
manacá da serra
vou plantar
na florada
vou para lá
e não volto
mais

4.6.13

Escritores

MIA COUTO  (Prêmio Camões 2013)

Comentários que valem um post

José Luiz deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Escritores":

Desde meados dos anos 70, com Selva Selvaggia e Pomba Poema, firmou-se como escritor, poeta e pesquisador, um dos intelectuais mais admiráveis de sua mineira geração.


Postado por José Luiz no blog . em segunda-feira, 3 de junho de 2013

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Crônica diária

Where are you from

"Where are you from" é a pergunta que dois americano fazem para a repórter brasileira. Ao ela se identificar: "Brazil!!!" eles se entre olham com declarada malícia e começam a cantarolar "Garota de Ipanema" do Tom Jobim. Duas coisas ficam patentes: o Tom é o brasileiro mais conhecido na América, e a mulher brasileira goza de uma fama pouco lisonjeira para uma mulher honesta, séria, e nem sempre bonita. A França já teve suas Brigittes e nem por isso toda francesa é puta. A América do Norte suas Marilyn Monroes e nem por isso as senhoras americanas são levianas. A Itália é um caso à parte, rivalizando com o Brasil na "fama"" de mulheres fáceis. Lollobrigida deve ter contribuído para isso. Ou o próprio Fellini. O ar tropical, os biquínis de Copacabana, tudo deve  contribuir. Mas na verdade a mulher brasileira esta longe de ser tão bonita como imaginam os ouvintes do Tom, e nem tão lascivas quanto pensam os americanos entrevistados.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

POEMÍNIMOS

sexta
as pessoas
não se dão
fim de
semana
nem pensar
segunda
começa
e na
sexta
termina
sábado
e domingo
inverno
e verão

3.6.13

Escritores

Ricardo Ramos Filho

Comentários que valem um post


expressodalinha deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Crônica diária":

Há escritores de vírgula e escritores da não-vírgula. Eu incluo-me nestes últimos. As vírgulas têm uma função gramatical específica. Mas na literatura elas influenciam o ritmo. Muita vírgula faz o texto pesado e tende a promover o abuso do adjectivo. A vírgula torna o parágrafo longo e muitas vezes confuso. O ritmo perde-se em pausas excessivas quase sempre desnecessárias. A maior parte das pessoas polvilha os textos de vírgulas porque não sabe onde as pôr. Experimentem não pôr e libertar-se-ão. Os verdadeiros escritores da vírgula, esses sabem usa-la. E usam-na precisamente para tornar o parágrafo denso e intenso. Para prolongar o suspense ou para dar uma visão impressionista do enredo.

Postado por expressodalinha no blog . em domingo, 2 de junho de 2013
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 Diz deixou um novo comentário sobre a sua postagem "POEMÍNIMOS":

oh! não somos descobertos, meu qrdo- o mercado de arte... melhor nem dizer o q penso. Conheci de perto. É preciso penar e ter amigos influentes, ah! e ser jovem promissor. IH! disse o q penso rs
vc é um homem especial, criativo e poderia até fazer sua galeria de arte;) que tal? Um bj, amigo, Elianne

Postado por Diz no blog . em domingo, 2 de junho de 2013
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Diz, você tem toda razão. Eu não era um jovem promissor. E agora sou um velho escritor. E pintura para mim é página virada. Bjs
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Crônica diária



Ultimato

Eu escrevo todos os dias. Uma crônica. Um post para os blogs. Um comentário nos blogs amigos. Uma poesia ou algumas laudas de um novo livro em gestação. É um hábito. Um compromisso. Vira uma rotina. Fico pasmo de saber que tem gente que não consegue escrever três linhas de encomenda. Convidei uns seis ou sete leitores a fazerem um comentário sobre as minhas crônicas diárias. Faz mais de dois meses e até agora só dois me enviaram seus textos. Todos os convidados, como bem me recordo, aceitaram a tarefa. Só dois cumpriram. Qual é a dificuldade de escrever três linhas? Dificuldade em mentir? Dizer belezuras de um texto que não gostam? Mas se não gostam não deveriam "curtir". E se curtem por que não dizem vinte palavras explicando porque curtem? Não consigo entender a dificuldade. Falta de tempo? Falta de inspiração? Não é preciso elaborações mirabolantes, muito pelo contrário, digam com simplicidade o que os leva a ler vezenquando minhas crônicas. 1º Nota do autor: a palavra vezenquando inventada pelo Caio Fernando Abreu foi adotada por mim. Não é um cochilo, como os que costumo vezenquando cometer. 2º Nota: continuo aguardando as três linhas dos convidados. Se a síntese em três linhas é que tem causado a demora, escrevam quatro ou cinco, mas não me façam esperar mais.

Postado por Eduardo P.L. no blog www.elunardelli.blogspot.com.br

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